Saturday, January 12, 2008

VIVA BELÉM DO PARÁ
Escrevi esse texto pra abrir um programa na TV Cultura chamado exatamente de Ser Paraense. A narração era do Walter Bandeira. É minha memória de amor na memória dos 392 anos de Santa Maria do Grão Pará.


SER PARAENSE
Açaí, tacacá, tucupi.
Manga, cupuaçu, bacuri.
Pupunha, bacaba, uxi.
Ser paraense é também dizer...
Axiii... !
De novo esse papo, esse tom,
Essa conversa fiada
De dizer que a chuva é molhada
Só em Belém do Pará.

Festa só da Chiquita,
Sesta é na rede
Besta é quem não mata a sede
Na mesa daquele
Bar que pede: - Elias, traz aquela uma.
Leso é quem não se encharque
Numa bela noite no Bar do Parque.

Seu sumano, deixe de prosa
Assuma que a terra é nossa
Égua, xiri, tem termo
Deixa de ser besta, seu sacana,
Pega o prumo, toma uma cana,
Se ainda tiver, branquinha de Abaeté.
E vem dançar, mesmo que só,
O nosso carimbó.

Ser paraense é saber
Quem São Eles
E saber que quem é Rancho,
meu amor, não amofina.
E que na Pedreira o samba e o amor
Podem até não tocar a noite inteira
Mas não somos nós que
Vamos dizer essa besteira.


Ser paraense é saber
Que sair daqui pra ir logo ali
Tem que beirar, arrudear e imbicar
Senão o que é ali vira acolá
E a gente corre o risco de nunca,
Nunquinha, chegar.

Ser paraense é ser pai d’égua
E poder dizer só te digo, vai.
Depois da primeira légua,
Tem as ondas do Mosqueiro,
As areias do Pesqueiro,
A praia do Atalaia
E o chão do Alter do Tapajós,
Que nos deu Sebastião,
Ora, viva nós.

Ser paraense é assumir que
Água de coco só em Icoaraci,
Que volta e meia e meia volta
A gente sempre volta
Pro açaí, pro tucupi.
Que diga o bom Nilson,
Que de som em tom,
Maroto, amigo,
Sempre canta o próprio umbigo.

Ser paraense é isso,
Remo ou Paissandu,
Chamar todo mundo de tu,
Achar o povo do Sul, aru.
É pegar a cuia botar no banho
Que, se não for de cheiro,
Não traz dinheiro,
É ficar de bubuia
Pro tempo passar primeiro.

Ser paraense é gostar da Leila,
Dizer que não agüenta mais a Fafá
Mas carregar sempre, o disco dela
De lá pra cá.

Ser paraense é ir embora
E dizer, lá fora, contente,
Até que enfim saí dali.
E lá, bem longe, pensar seriamente
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar.

Ainda tem muito pano pra manga,
Muita farinha pro meu chibé,
Ninguém ainda falou no Lapinha,
Nem na Virgem de Nazaré.
Que me desculpem as beatas,
Santa é santa, moça é moça,
Ninguém misture o abraço.
Ferro é ferro, ouro é ouro
Tudo cabe nesse nosso pedaço.
Ser paraense é Ver -o- Peso,
Ver o Círio
Cantar o Lírio Mimoso
Chamar pro marido, esposo.
Ser paraense é saber que
Só quem é do Pará,
Pode dizer com orgulho
Sou mesmo da banda de cá
Eu sou das brenhas,
Eu sou das matas,
Sou dos rios, sou da floresta,
E, mais do que tudo,
Sou do futuro,
Sou da vida que me leva,
Que me embala,
E me acalanta e me convence
Ei, eu sou mesmo
É paraense.

15 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Do caralho!

Anonymo

12:15 PM  
Anonymous Anonymous said...

Égua xiri. Que legal

2:21 PM  
Anonymous Bia said...

Boa noite, Afonso

li e reli o poema e fiquei com uma inveja enorme desses filhos nativos do Pará.

Mas estou há tanto tempo aqui, tal qual aquele que foi e voltou, que já adquiri o direito de fazer minha quadrinha:

Não ser paraense dá inveja
dos que nasceram aqui,
mas com fé e sagacidade,
pegue uma cuia bem cheia
e vire o açaí goela abaixo.
Pronto! Tá feito o milagre:
irmãos no vinho e no sangue,
na dor e na felicidade!

Abração.

4:01 PM  
Anonymous Anonymous said...

é xiii.... porra

4:55 AM  
Anonymous Anonymous said...

pai d'égua, ficou du cassete!

4:33 AM  
Anonymous Anonymous said...

Puta texto excelente do caralho.
Mas não gostei da parte que fala da Leila ou da Fafá.
É que eu só gosto de rock ultra hiper pesadaço pra caralho.
Principalmente depois de um açaí.

6:14 AM  
Blogger Pascoal said...

Quem tá achando o texto perfeito, precisa ver o vídeo que acompanha... Casamento perfeito texto/imagem. Coisas que só a AK consegue fazer.
Abração, doutor...

7:25 AM  
Anonymous Anonymous said...

E-gu-á!!! Deligório. Não conhecia.
Duca, mermão...
Vamos fazer a TVPará.com...
Queijos.
Ronaldo Brasiliense

10:25 AM  
Anonymous Anonymous said...

ak diz :
anônimos ; grato
Bia : a gente tinha uma saudação "aos paraenses e aos que fizeram do Pará a sua terra". Somos todos um só.
Pascoal : és partícipe atuante daqueles divertidos e criativos tempos. A TV Cultura tem um acervo de programas com textos e edição excelentes que eu não vou citar nomes porque o espaço não daria.
Ronaldo : eu topo.

2:47 PM  
Anonymous Anonymous said...

Aaaahhhhhh! Vou vomitar!!!!
Cês tão é doido, nada mais predizível, lgar comum, idiotês, prá ganhar elogio do Ronaldo Erva maldita Brasilinse só pode ser... merda.
Não morre agora de ligório!

6:27 PM  
Anonymous Anonymous said...

Ou melhor, ai que nojo, dá prá Fafá gravar, dá!

8:07 PM  
Anonymous Anonymous said...

Aaaiiiiiiiiiiii! que a autora da outra merda que diz assim aquele super chavão, "meu leque de estrelas, Belém do Pará" vai se mijar na cova de tanta inveja do de Ligório Parigórico!!!
Arrrrgghhhhh!

8:10 PM  
Anonymous Anonymous said...

Olha aí gente, a xata(ela vai me corrigir de novo, completamente idiota)da Bia Leza gostou.
Bem feito
de Ligório Parigórico

8:13 PM  
Anonymous Anonymous said...

De Ligório Parigórico, o
blog xarope.
Te espero na mídia até a tua terceira geração, te prepara para as críticas, profundas, inteligentes, audazes e...implacáveis!!!!
E não vem com essa de querer me contratar, nada paga o poder da críica inteligente, ética, sensível,sempre alerta às criaturas como...tu!

8:16 PM  
Anonymous Anonymous said...

ak diz:
O "anônimo de mal com a vida" ataca novamente.
Vou tentar contratá-lo pra saber como se fez uma "crítica inteligente, ética, sensível, sempre alerta".
Nunca é demais aprender.
Afonso Klautau

6:47 AM  

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