Friday, June 06, 2008

LENDO MAIAKOVSKY NUMA LOJA DE CONVENIÊNCIAS

Sebastião Tito Klautau foi o primeiro presidente do DCE - Diretório Central dos Estudantes - da Universidade Federal do Pará, depois do AI-5, que acabou com os diretórios de universidades em todo o país.
Eis aí, o primeiro relato dele sobre a recriação do ME no Pará.

Tito Klautau
1968 - Seguindo um movimento que ocorreu na maioria das Universidades Federais do Brasil, a totalidade das escolas da UFPA foram ocupadas pelos estudantes no primeiro semestre letivo, durante aproximadamente 45 dias, sendo as principais exigências para a desocupação as seguintes : 1) não implantação do acordo MEC-USAID que propunha adaptar o modelo do ensino superior americano ao Brasil, trazendo embutido o início da privatização do ensino superior no Brasil ; 2) início de uma reforma universitária ampla e com ampla participação dos discentes na elaboração da mesma, sendo uma das maiores bandeiras para esta reforma a extinção da cátedra vitalícia. De acordo com a minha memória, destacavam-se como líderes desta ocupação os seguintes estudantes : Rui Antônio Barata, José Paulo (Capixaba) e Fiuza (Fiuzão) na Faculdade de Medicina ; Boneff e Puty na Escola de Engenharia ; Alex Turensko no Curso de Economia.
1969 - Após a queda do Congresso da UNE, em Ibiuna, e a consequente proibiçao de qualquer atividade da UAP (União Acadêmica Paraense), em outubro de 1968, juntamente com a decretação do AI-5, em dezembro de 1968, ocorreu a morte do movimento estudantil na UFPA, permanecendo o mesmo como cadaver durante todo o ano de 1969.
1970 - Alguns estudantes começaram a conversar sobre a necessidade de recriação dos Diretórioss das Faculdade e Escolas bem como da UAP. Entre esses estudantes recordo-me dos seguintes nomes : Eu e Rubens Donatti da Engenharia ; Romero Ximenes Pontes do Curso de História ; Paulo Guilherme Gurjão de Carvalho (irmão do "chefe dos black-nights" Milico) da Medicina ; Fernando Nascimento, Edson Roofé e Inês (mulher do Donatti) do Curso de Economia. Conseguimos, com o Aloisio Chaves (Reitor), colocar representantes discentes nos principais orgãos colegiados que discutiam a implantação da Reforma Universitária na UFPA, ficando Eu e Inês como representantes no Conselho Superior de Ensino e Pesquisa (CONSEP), Donatti e Nascimento no Conselho Universitário (CONSUN) e Eu e Paulo Carvalho na Comissão de Implantação da Reforma Universitária (CIRU). Isto foi muito importante porque esses três orgãos eram presididos pelo Reitor e deles participavam todos os Sub-Reitores (Armando Mendes, Nelson Ribeiro e Anunciada Chaves) e todos os diretores de Faculdades e Escolas da Universidade. Por esses orgãos foram tomadas todas as decisões necessárias para a implantação da Reforma Universitária ao longo do ano de 1971. Não existia, em 1970, a possibilidade da recriação dos Diretórios Acadêmicos porque o MEC os proibia terminantemente, só permitindo a participação estudantil na política universitária através da representação discente nos orgãos colegiados deliberativos.
1971 - Conseguimos aumentar a participação dos discentes nos orgãos colegiados, ao mesmo tempo que agregavamos mais estudantes interessados no "renascimento" do movimento estudantil na UFPA. Eu, Romero Ximenes e Geraldo Coelho fomos para o Conselho Universitário e começamos a ter contatos com outras Universidades Federais que também lutavam pela recriação do Diretórios, sendo que lembro de contatos com o pessoal da Bahia, Niteroi, Pernambuco,Ceará e Goiás, entre outros. No final de 1971 saiu uma Portaria do MEC que permitia a criação de um Diretório Acadêmico em cada Centro de Estudos das Universidades e um Diretório Central dos Estudantes em cada Universidade. Imediatamente redigi um documento, auxiliado por nosso pai Aldebaro, onde pedia, com a máxima urgência possível, a criação de um Diretório Acadêmico em cada um dos oito Centros de Estudos existentes na UFPA bem com a criação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPA. Apresentei a proposta no Conselho Universitário, tendo o Aloisio Chaves ficado muito preocupado pois ele não tinha notícias da criação dos Diretórios em outras Universidades. Eu e Romero batemos duro no Conselho enchendo o saco dos conselheiros com longos falatório sobre a necessidade dos Diretórios, em todas as reuniões, que eram quinzenais.
1972 - Em abril o Conselho Universitário regulamentou a criação dos Diretório dos Centros e do DCE. Do pessoal que começou a recriação do movvimento em 1970 restava Eu e Romero , sendo que Romero estava interessado somente no Curso de Pós-Graduação que iria fazer em 1973. Resolvi convidar então o pessoal novo que tinha acabado de entrar na Universidade. Fizemos muitas reuniões, que eu chamava de encontros de politização, e com a abertura de inscrições de chapas para concorerem às eleições dos Diretório formou-se um novo núcleo dentro do movimento estudantil apresentando-se então duas vertentes (esquerda e direita). Formamos uma chapa (esquerda) para o DCE concorrendo com uma chapa formada pelo Nicias Ribeiro (direita), ligada à ARENA, na época presidida pelo Baim Klautau. Ganhamos o DCE e a maioria das diretorias dos Diretórios dos Centros, começando então uma intensa atividade cultural com lançamento de jornal, concurso para escolha do símbolo do DCE, festas promovidas pelo DCE, encerrando-se o ano com o show do Milton Nascimento no Ginásio da UFPA. Da primeira Diretoria do DCE faziam parte : Eu, Inocêncio Gorayeb, Roberto Pinto da Silva, Maria dos Remédios, Maneschy, André Barreto, Joaquim (médico sobrinho dos Maradei), Durbiratan Barbosa e a namorada dele que eu não lembro o nome.
PS: e a vida, o que é, diga lá meu irmão.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Boa postagem De ligório , só não pesquei a conexão do título.
Abração
Tadeu com saudades de Belém

11:22 AM  

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