Sunday, February 25, 2007

ROLANDO AS PEDRAS UM

A revista Rolling Stone deste mês publica matéria sobre o jornalista Lúcio Flávio Pinto com o título “A agonia de Lúcio Flávio”. A seguir, algumas declarações do Lúcio.
Sobre o Bar do Parque:
“quantas vezes não amanheci aqui no Bar do Parque. Bebíamos e bebíamos, mas para discutir alta literatura”.
Sobre o dono da padaria onde tomava café com o repórter.
“sou persona non grata aqui. Se o dono me vê nesta mesa, me mata. Denunciei ele e o filho por envolvimento no assassinato de Bruno Meira. Eles também estavam envolvidos com tráfico de drogas”.
Sobre a repercussão do caso Bruno Meira.
“foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Todo mundo era do meu círculo de relacionamento. Eu olhava para o Jornal Pessoal e pensava: sou maluco, estou me condenando à morte”.
Sobre o suicídio de Getúlio Vargas.
“minha primeira lembrança política foi o suicídio de Getúlio. Meu pai foi para o enterro em São Borja (RS) e voltou com um disquinho da carta-testamento. Papai me colocava pra recitá-la, mas eu me entusiasmava e queria era discursar”.
Sobre seu primeiro jornal mimeografado.
“no primeiro ou segundo número, já ameaçou dar processo. Chamei uma colega de gorda e o pai dela não gostou”.
Sobre Fernando Henrique Cardoso, de quem foi aluno na USP.
“era excelente professor, mas era um boneco, devia ficar uma hora se arrumando para dar aula”.
Sobre a cobiça capitalista pela Amazônia.
“me dei conta que a Amazônia ia ser liquidada. São Paulo ia fazer o mesmo que os bandeirantes fizeram. Transformei aquilo em minha razão de ser”.
Sobre o fechamento das comportas da barragem para encher o lago de Tucuruí.
“quando vi aquilo, comecei a chorar compulsivamente. Veio em mim o caboclo da beira do Tapajós que nadou no Rio antes de ter conhecimento do mundo. É o meu drama, a minha história. A região está sendo cruxificada”.
Sobre o seu trabalho como repórter no Estadão e no Liberal.
“até 1989, não teve um evento de importância na região que eu não tenha testemunhado. Meus cadernos de reportagem são a história da Amazônia”.
Sobre Rômulo Maiorana que, segundo a revista, via “no jornalista, o herdeiro que não teve”.
“ele me tratava como um filho, fazia inúmeras confidências.......tu és o meu lado bom, deixa o meu lado ruim comigo”.
Sobre Jader Barbalho.
“gosto do Jader, ele nunca me agrediu....é um talento desperdiçado. Está sempre um lance a frente do político comum. É um cara incrível. O povo adora ele, a elite odeia – não por ser um ladrão, mas por não ser elite. É um Robin Hood deturpado. Só distribui trocados. Se tivesse grandeza, seria um dos grandes líderes do Pará”.
Sobre seu padrão de vida quando trabalhava no Estadão, no Liberal e na TV Liberal.
“eu tinha um poder impressionante. E ganhava muito bem, em valores de hoje cerca de 15 mil dólares por mês. Fiz minha biblioteca, minha casa”.
Sobre o jornalismo de seus sonhos.
“já fui execrado pela esquerda, pela direita e pelo centro. Sou do lado onde está a verdade, adoro uma briga”.
Sobre os processo movidos contra ele pelos herdeiros de Rômulo Maiorana.
“esses Maiorana, os herdeiros, são medíocres.....fui processado 32 vezes desde 1992, só que nunca contestaram os fatos que apresentei. É sempre por difamação”.
Sobre seu padrão de vida atual.
“meus amigos me dão presentes. Eu não tenho cartão de crédito. Ando de ônibus e quase não tenho vida social. Eu levo uma vida franciscana”.
Sobre a comparação com o mito grego de Prometeu.
“a justiça me amarra as mãos enquanto meus inimigos vêm todos os dias tirar um pedaço do meu fígado”.
Sobre a surra que levou de Ronaldo Maiorana.
“foi uma covardia. Ele veio pelas minhas costas e me agrediu. Quando me dei conta, já estava sendo espancado por Ronaldo e seus seguranças, que são pagos pelo estado para dar proteção a ele. Quando fui na delegacia dar queixa se recusaram a registrar a ocorrência”.
Sobre o destino do Jornal Pessoal.
“ou morro eu ou morre o Jornal Pessoal”.
É isso aí. Tudo devidamente aspeado. E mais: essa postagem e mais as duas seguintes foram feitas no domingo, 25 de fevereiro, depois das 20 horas.

10 Comments:

Blogger Juvencio de Arruda said...

Foi prá ribalta do Quinta, com link e tudo.
Obrigado.

2:50 AM  
Anonymous Adelina Braglia said...

Caramba! Acho que daquela sua lista de remédios vou pinçar alguns por conta própria, pra ativar a percepção!
Cruzando várias vezes com você no blog do Juvêncio, meus neurônios cansados não ligaram a sigla ao nome. Um abração, Afonso.

4:06 AM  
Anonymous Luciane Fiuza de Mello said...

Boa referência. A entrevista está ótima. O Lúcio está nos blogs paraoaras e nas revistas nacionais. Parece que só nos nossos "grandes" jornais é que não. O motivo está aí nas páginas da Rolling Stone.
Um abraço!
Luciane.

7:19 AM  
Blogger Juvencio de Arruda said...

Ak, não se deixe impressionar com "La Braglia".
Ela está no melhor de sua forma.

8:38 AM  
Blogger Marcelio said...

Vou ver se corro pra comprar a revista...
:)

5:01 AM  
Anonymous Adelina said...

Afonso, não se deixe enganar pela generosidade do Juca. Com 30 quilos acima do peso, não estou na minha melhor forma...rsrsrs...Abração.

5:47 AM  
Blogger Juvencio de Arruda said...

Mas eu pensei que nos estávamos falando de almas,Adê...eheh.
Bjão

5:48 AM  
Anonymous Adelina said...

Era de almas, sim, coração. A minha anda muito pesada...rsrsrs..Beijão.

2:45 PM  
Anonymous Anonymous said...

Tuca do bico caído disse ...

O Lúcio fez o que ele mais gosta no momento: falar, e bem, do Anhanga. Está em lua de mel, talvez até, quem sabe, lembrando os bons tempos do Paes de Carvalho, o colégio, é claro.

8:30 AM  
Blogger klautau said...

Salve dotô!!! Nossa essa entrevista com a Rolling Stone com o Lúcio foi recorde em registros no teu blog!!! Parabéns!

1:28 PM  

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